"Nós colhemos o que plantamos, se queremos um mundo melhor, precisamos ser pessoas melhores"

21 junho 2011

PAPAI, EU NÃO SEI FICAR LONGE DE VOCÊ!!!!!




O André é um pai super presente, e a Sophia não quer nem saber de ficar longe dele.
E assim como o André meu pai foi e é um super pai.
Ufa ainda bem que não sou filha de uma produção independente!


Jornal O GLOBO
“Jornal da Família”
Edição de 29/08/1999
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A nova produção independente
Repórter Márcia Cezimbra

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Psicanalistas discutem última geração de filhos criados distantes do pai
 Nos anos 70, a produção independente era quase um ato de rebeldia de mães que queriam ter filhos sem pai em protesto contra a sociedade machista. A atriz Scarlet Moon, por exemplo, tinha decidido criar sozinha os seus três filhos - Gabriela, hoje com 28 anos; Cristóvão, de 23; e Teodora, de 22. Mas, à 20 anos, quando ela se casou com o músico Lulu Santos, as três "produções independentes" ganharam um pai, segundo Scarlet, maravilhoso em múltiplos sentidos.
- Eu nunca poderia imaginar, mas os três são filhos de fato do Lulu. A vida ensinou-me que a mulher tem uma relação com o filho desde quando ele esta dentro de sua barriga, mas com o homem é diferente. É o amor do homem pela mulher que faz com que ele ame os filhos. Eu tive esta sorte, este privilégio, de ter tido um homem que me amou e que é um pai deslumbrante em seus toques, na educação, na generosidade. Eles se adoram - diz Scarlet.
Hoje, a produção independente não é mais um ato rebelde, mas uma nova realidade social. São filhos de mães adolescentes que ainda moram com os pais, de mulheres que querem apenas um filho e não um casamento, de uma multidão de descasadas que têm a posse legal da guarda das crianças, e até de casais homossexuais. Quem são estas crianças criadas á distância da figura paterna? As psicanalistas americanas Leif Terdal e Patrícia Kennedy, autoras de "Produção independente - Criando meninos sem a presença do pai" (Editora Rosa dos Tempos) dizem que, se estas crianças não tiverem um pai substituto, como os filhos de Scarlet e Lulu, terão vazios afetivos ao longo de toda a vida.
Depois de uma longa pesquisa com filhos de pais divorciados nos Estados Unidos, as autoras constataram que metade das crianças nascidas após 1975 vive longe do pai e, nestes casos, os meninos apresentaram mais transtornos do que as meninas: baixo rendimento escolar, agressividade com a família e com os colegas, uso de drogas, depressão e angústia.
Já a psicanalista brasileira Lulli Milman, coordenadora da clínica social da UERJ e autora de "Cresceram!!! - Um guia para pais de adolescentes" (Editora Nova Fronteira), diz que mais importante do que a presença física do pai é o que ele significa para a mãe:
- A mulher que respeita o homem, independentemente de ele estar ou não ao seu lado, esta criando uma pessoa melhor. A criança nasce de um homem e de uma mulher. Se a mulher desvaloriza o homem, mesmo casada com ele, esta criança sofrerá de miséria psíquica, porque parte de sua identidade foi aniquilada pela mãe, não importa onde esteja o pai. 
Como ajudar as crianças?
RESPEITO: O respeito pela figura paterna é fundamental para a integridade da criança. Quando a mãe denigre o pai por qualquer motivo, a criança cresce com uma identidade mutilada.
TERAPIA: A mãe que impede os filhos de verem o pai, seja por ciúme, ressentimento ou vingança, precisa de terapia. Estes filhos estão órfãos de pai e de mãe, que, em vez de atormentá-los com seus rancores, deveria protegê-los e criar-lhes condições afetivas favoráveis.
SUBSTITUTO: O pai biológico pode estar ausente por diferentes motivos - morte, viagens, doença ou perda total de contato - mas a criança pode encontrar figuras paternas substitutas no avô, no tio, no irmão mais velho, no professor ou no padrasto.
ADOÇÃO: As psicanalistas americanas Leif Terdal e Patrícia Kennedy dizem que é melhor para a criança ser adotada por uma família receptiva do que viver com a mãe nos casos em que esta, depois de ter recebido substancial ajuda e intervenção do pai, não tem instrução nem aptidões de trabalho para criar os filhos em ambiente adequado. Elas sugerem que crianças nascidas de pais com péssimo relacionamento também vivem melhor em lares adotivos.

A NOVA PRODUÇÃO INDEPENDENTEOs danos provocados pela ausência do pai
 Avô, irmão mais velho, padrasto, tio, padrinho e namorado da mãe ajudam a substituir a figura paterna .
O psicanalista Sérgio Nick, autor do ensaio "Dano moral e a falta do pai - Algumas considerações sobre a produção independente", fez uma pesquisa sobre filhos de produções independentes e abandonados pelo pai e constatou que os riscos e os danos são diferentes em cada caso:
- O maior risco para os filhos de produção independente, comprovado estatisticamente, é o perigo da excessiva fusão com a mãe. O que impera nesta relação é a convicção de que mãe e filho bastam-se um para o outro. A mãe acha que poderá suprir todas as necessidades do filho e dela mesma, mas vai gerar distúrbios emocionais na criança.  

Quando a mãe exerce também a função de pai
 Já os filhos abandonados total ou parcialmente pelo pai têm dificuldade de lidar com sentimentos gerados por este abandono, o que vai trazer conseqüências imprevisíveis:
 - Estas crianças apresentam um núcleo depressivo que pode levá-las a sentimentos de baixa auto-estima, de não serem merecedoras de amor. E leva também a sentimentos de ódio e de inveja de difícil manejo. A mãe mais madura emocionalmente ajuda os filhos a superar a ausência do pai e evita que as fantasias de abandono predominem.
Nas duas situações, Sérgio Nick acha possível que a mãe exerça a função de mãe e pai, mas é preciso que ela deixe claro para o seu filho que ela não pode ser tudo para ele e que não negue a identidade, a presença e a participação do pai na vida da criança.
- A mãe pode até exercer as funções materna e paterna, mas isto não quer dizer que a figura masculina não seja imprescindível na vida da criança. Caso não seja possível o pai estar presente na vida da criança, a mãe pode tentar buscar no tio, no avô, no namorado ou no amante esta aproximação, que é essencial para o desenvolvimento psíquico-emocional-afetivo da criança. A guarda compartilhada de filhos de divorciados, pela qual eu tanto luto, é uma arma contra esse drama na vida de uma criança: a falta do pai. A presença de avós, padrinhos, madrinhas, tios, tias é crucial para compensar esta falta também. A criança precisa saber e sentir que é aceita, querida, amada, que de alguma forma tem raízes, familiar e afetiva - disse Nick.
Sérgio Nick lembra que o exercício da paternidade é garantido por lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece o direito á paternidade e a lei sobre a investigação da paternidade da ás mães o direito de exigir que os pais assumam a paternidade de seus filhos justamente por entender que é crucial para a criança conhecer sua filiação:
- Saber quem é o pai, conhecê-lo e conviver com ele é parte integrante e fundamental da construção de sua identidade pessoal.

Crianças com problemas sentem a falta do pai  
Já uma pesquisa feita pela psicóloga Vera Resende com crianças e adolescentes do Programa de Atenção á Infância e á Adolescência da Universidade Estadual Paulista, de Bauru, constata que a maioria das crianças atendidas com problemas de agressividade, indisciplina, baixo rendimento escolar e apatia se ressente da ausência do pai. 
- Constatamos que 80% das crianças não tinham problemas, mas apenas dificuldades na família. Orientamos os pais a participarem mais da vida dos filhos e ás mães que compreendam a importância da figura paterna - disse.

Sociedade contemporânea desvaloriza a função do pai  
Psicanalista diz como a figura paterna deve ser sempre preservada pela mãe  
Especialista em crianças, a psicanalista Geny Talberg, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, diz que a ausência do pai na vida de uma criança talvez não possa jamais ser substituída, porque o essencial no desenvolvimento de uma criança é que tenha alguém mais seguro do que ela:  
- Este é um tema muito complexo. Muitas variantes podem influenciar o desenvolvimento de uma criança que vive nesta situação. A mãe nunca poderá suprir totalmente a ausência do pai, mas pode compensá-la criando dentro de casa uma convivência do filho com avós, tios, namorados ou padrastos, em ambiente tranqüilo que possa transmitir segurança emocional á criança.
Para Geny Talberg, o mais adequado é que a mãe possa ser capaz de enfrentar junto com a criança as dificuldades que poderão surgir a partir da ausência do pai.
- O fundamental, independentemente da situação em que foi gerada a criança, seja por uma mãe solteira, por ter optado por ter o filho sozinha, ou ainda por motivo de separação, é que a mãe não deve agredir a figura paterna - explica a psicanalista.
Geny Talberg diz que atualmente a função da figura paterna nem sempre tem sido valorizada. A psicanalista Lulli Milman concorda e acrescenta que, para a mulher de hoje, o homem e o casamento não são mais essenciais para que ela exerça a maternidade.
- Ter um filho hoje não significa mais ter necessariamente um marido e um casamento. São dois projetos distintos - diz Lulli Milman.
Na opinião de Geny Talberg, no entanto, o pai é fundamental para ajudar a estruturar um ambiente familiar onde haja lugar para sofrimento, tristeza, decepções, dúvidas, medos, anseios, amor e companheirismo:
- Uma relação entre mãe e filho que opta pela exclusividade entre ambos traz, entre as mais sérias conseqüências, a tendência da criança de se sentir com a responsabilidade de compensar a carência afetiva da mãe. E os filhos não podem tornar-se companheiros dos pais. Eventualmente, assumindo este papel, haverá danos para o seu desenvolvimento emocional.


Pai querido eu te amo!!!!!

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